terça-feira, 9 de outubro de 2012

Não confundir Frisado do Norte com o Frisado do Sul

Frisado do Sul
Frisado do Norte
Frisado do Norte


Com frequência observamos nos concursos e especialmente nos julgamentos, que à medida que vai aumentando o gosto pela criação de frisados nas distintas variedades, uma percentagem bastante considerável destes aficionados, duvida, desconhece ou confunde as características próprias do standard do FRISADO DO NORTE e do FRISADO DO SUL. Isto ocasiona uma espécie de círculo vicioso desfavorável e ambíguo porque no acasalamento juntam estas duas variedades e o resultado é fatal... Uma hibridação que ocasiona verdadeiros problemas.
A que se deve a menção da palavra problema? Bastaria dizer que do mencionado cruzamento se obtém maus exemplares e seria suficiente; pois não, a questão é mais séria do que parece, por isso, tentaremos aclarar esta situação para bem da especialização e de um trabalho bem realizado.
Resulta que do produto do cruzamento entre o FRISADO DO NORTE e do FRISADO DO SUL, saem canários que mostram ou exteriorizam parte das suas características. Pode ser que tenham as patas compridas e correctamente erguidas sobre o poleiro (SUL), não obstante nunca chegarem a curvar correctamente (7 incipiente DO SUL) porque não tem pescoço e a cabeça é do NORTE. Pode suceder também que as zonas frisadas peculiares do NORTE se confundam com as do SUL, em especial as aletas, que não serão nem nadadoras (NORTE) nem em forma de vírgula (SUL). O cestinho peitoral não será possivelmente volumoso nem correctamente marcado em forma de coração (NORTE), nem formando uma espécie de ninho de andorinha (SUL),  parecendo ser apenas uma confusão de penas frisadas, etc. 
Tudo isto nos leva a outra questão que consideramos muito importante que é a que mais engana os criadores e porque não dize-lo, confunde também os juízes de porte no momento do julgamento. Referimo-nos a quando se trata de identificar se os exemplares em questão são FRISADOS DO NORTE ou FRISADOS DO SUL, por falta de linhagem (raça definida). Ao derivar de duas variedades distintas, o pássaro perdeu a linhagem e naturalmente como consequência, o seu  esqueleto e a sua estrutura física são deficientes, o qual faz com que uma vez em cima da mesa de julgamento o seu porte ou posição é indefinida, dito por outras palavras, é um exemplar duvidoso e às vezes muito difícil de identificar, acarretando nestes casos, perda de tempo, já que o juiz tenta esgotar o tempo regulamentar máximo que se pode dar a cada pássaro que é de 10 minutos, trabalhando-o como vulgarmente se diz para conseguir um ponto de partida neste sentido. Além de um trabalho de observação constante por parte do juiz e paciência para deixar que o protagonista se defina e no melhor dos casos, depois de tudo isto, pode ser que saia urna valorização pouco satisfatória por um lado e problemática por outro, quando o pássaro é metido na estante de exposição e está tranquilo, e logo se decide a concretizar um determinado tipo de posição, embora só sirva para valorizar se é um mau NORTE ou um mau SUL, por quanto já se disse que as demais características não podem ser nunca perfeitas. 
Mas tampouco termina aqui a questão; por parte do criador e aqui reiteramos a do “circulo vicioso”, os criadores deste tipo de “híbridos”, vulgar expressão, também é lógico, confundem ou não sabem com exactidão os canários que têm e na hora de efectuar o acasalamento valorizam-lhes ou apreciam alguns gestos que lhes viram fazer, por exemplo, um que tenha com frequência as patas rígidas este é um bom canário e outro que tenha as aletas pronunciadas é outro bom canário; e assim vão fazendo as suas valorizações que os vão induzir novamente a cruzar estes canários. Aos bons exemplares reprodutores é dedicado anualmente o mesmo trabalho e esforço. No dia de recolher as fichas de julgamento do próximo concurso apanharão a grande decepção e pode ser o aborrecimento, por umas pontuações suspeitas, baixas ou desclassificações. 
Queridos leitores aficcionados e entusiastas destas variedades, temos fracassos por desconhecimento e descuido, igualmente ocorre isto entre o FRISADO DO SUL e o GIBBER ITALICUS, porque não se segue uma linha definida para chegar a conseguir o que devemos de antemão ter previsto. Se ficarmos a metade do caminho nunca teremos exemplares bons e correctamente definidos, que é o verdadeiro trabalho do canaricultor. 
Faz falta unicamente ver pássaros bons apercebendo-se das características autênticas de cada variedade que queremos criar e seguir em frente por este caminho. Cada ficha de julgamento da variedade, especifica claramente as principais características que deve ter o exemplar e que são as que se valorizam; basta estudá-las com todo o pormenor e consultar pessoas entendidas ou com artigos (livros) que existam no mercado, com isso se chegará a conseguir que não se perca nem tempo nem dinheiro. 
Quiçá, haja quem faça a pergunta seguinte: assim a teoria conhecida de que o FRISADO DO SUL provém do FRISADO DO NORTE, o FRISADO SUIÇO provém do FRISADO DO SUL e o GIBBER ITALICUS do FRISADO SUIÇO, etc. não vale? Cuidado. Temos comentado um dito que está em voga nos nossos dias e que, cremos, podendo equivocar-nos, que estão fazendo acasalamentos sem uma orientação correcta até conseguir uma variedade determinada, requerendo para isso o tempo necessário; se é assim, pretendemos unicamente corrigir o erro. 
Por outro lado, estes canários que podíamos considerá-los “pas per tu”, se elevam aos concursos; isto é o que pretendemos fazer notar ao criador, já que daí provém o mencionado erro por considerar estes pássaros em questão, como variedades fixadas ou definidas quando como já disse, deixem muito a desejar. 
É de esperar que a mesma paixão que ao princípio aludimos, trabalhará a favor da consequência de bons exemplares, acasalando bem e o resultado não se fará esperar.
A própria satisfação conseguindo o êxito, será o prémio do dever comprido.


Frisado do Norte Frisado do Sul
Posição: Erecta a 65º
Tamanho: 17 cm
Manto: Simétrico e bem marcado
Aletas: Salientes até fora
Jabot: Em forma de coração
Abdómen: Liso
Cabeça: Lisa
Patas: Compridas, ligeiramente flectidas
Cauda: Completa, comprida, terminada em M
Posição: Em forma de 7 incipiente
Tamanho: 17 cm
Manto: Simétrico e bem marcado
Plumagem: Volumosa
Jabot: Em forma de ninho de andorinha
Asas: Aderentes ao corpo e sem se cruzarem
Cabeça: Serpentiforme com pescoço comprido e solto
Patas: Compridas e rígidas com pouca plumagem
Cauda: Estreita e perpendicular ao poleiro
Andrés Bigas i Casas
Juiz Canários de Porte OMJ/COM
Revista Pássaros